Por isso quando estamos sozinhos, existe sempre aquela pausa para se perguntar por que ainda estamos sozinhos. Bom, eu sei que eu posso ser bem chata. Já deixei homens tão doidos que, não fosse pela incapacidade física, teriam saído de perto de mim voando.
O mais marcante sem dúvida foi o que me conheceu após ter saído de um namoro com alguém que ele gostava de classificar como “psicopata”. No começo duvidei, achei que era o típico papo do homem que pinta a ex como o pior ser do mundo, na tentativa de acobertar alguma cafajestagem, traição ou algo parecido, mas após alguns meses de namoro assistindo as tentativas desesperadas de retorno da moça, pude constatar que ela não tinha nada em mente a não ser o “felizes para sempre” ao lado do meu, então, namorado.
A diferença entre eu e ela, era que eu acreditava no que ele sentia por mim, estava segura ao lado dele, portanto não havia espaço para crises de ciúmes. Além disso, nunca fui fã de demonstrações exageradas de carinho, muito menos em público, nem apelidos “miguxos”, ou manifestações de amor a qualquer hora do dia. Somando o trabalho e a faculdade, eu não tinha tempo nem para lavar o cabelo, quanto mais pra administrar um namorado carente. Sendo assim, enquanto eu tinha certeza absoluta do que ele sentia por mim, o cara estava sempre duvidando do meu amor, das minhas intenções. Era como se a qualquer momento eu pudesse fazer algo muito estúpido e ir embora, sem olhar para trás. Com o tempo era tanta pressão que terminei. Ele voltou com ela e estão juntos há três anos.
O engraçado é que nesse meio tempo não perdemos o contato, vez ou outra ele fala do passado. Já brigamos, já ficamos, já dissemos coisas que não deveríamos ter dito. Os dias passam, os anos passam, e parece que sempre há alguma coisa. Não me permitia pensar nisso, sempre fui prática em relação a essas questões, não me permito fantasiar. Quando um cara quer ficar com alguém ele fica, se não está, é porque não quer. Se fica rodeando, indo e voltando sem dizer a que veio, é porque quer sexo. Simples assim.
Mas dia desses em um dos episódios da findada série Sex and the city, Carrie, que foi enrolada por Big durante dois anos, foi surpreendida ao saber que ele estava noivo. Ele que até então dizia ser avesso a compromisso com qualquer pessoa que fosse. Ela decidiu ir a sua festa de noivado e fazer-lhe a pergunta que todas nós desejamos fazer a todos os homens que já passaram pela nossa vida e se apaixonaram pela próxima, mas não pela gente:
- Por que não eu?
Diante da falta de resposta, ela decidiu que alguns homens têm medo da entrega, de se doarem, de ficarem vulneráveis e depois se machucarem, por isso talvez se casam com o oposto da mulher que sempre disseram querer para suas vidas. Casam-se com aquela que é mais fácil de domar, cujos passos ele pode dar sem medo de se machucar. Vai ver é por isso que toda mulher se refere a atual do seu ex usa frases como “É claro, ela é uma tonta que aceita tudo o que ele faz” ou “Obviamente ela nem desconfia do que ele é de verdade, trouxa!” ou ainda “Eles só estão juntos porque ela é mais parecida com uma barata morta, do que com uma mulher. É claro que ele pode fazer-lá de gato e sapato que ela nem vai se incomodar”.
Ai fiquei pensando: Será? Será que os homens realmente têm medo da tal entrega? Ou será que isso não passa de uma desculpa que nós mulheres inventamos para digerir o pé na bunda?
Eu fico com a segunda opção, e vocês?

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